
Dá para usar o consórcio para construir patrimônio imobiliário? Veja como funciona, quais são os custos e os cuidados com promessas de carta contemplada.
O consórcio é conhecido como forma de comprar um bem sem juros. Mas muita gente também o usa como ferramenta de planejamento patrimonial, principalmente para formar um patrimônio em imóveis ao longo do tempo. É uma estratégia possível, desde que seja feita com os olhos abertos para custos, prazos e riscos.
Consórcio não é aplicação financeira
Antes de tudo, um ponto importante: consórcio não é investimento no sentido tradicional. Você não aplica dinheiro para receber rendimento. Você paga parcelas para, em algum momento, receber uma carta de crédito e comprar um bem.
O ganho, quando existe, vem do bem comprado: o imóvel que valoriza, o aluguel que gera renda, ou o patrimônio formado sem pagar juros de financiamento.
Ninguém pode prometer rentabilidade com consórcio. O resultado depende do bem comprado, do mercado e da sua estratégia.
Como o consórcio pode ajudar a formar patrimônio
Disciplina de poupança
As parcelas funcionam como uma poupança obrigatória. Para quem tem dificuldade de guardar dinheiro por conta própria, isso ajuda a direcionar recursos para um objetivo de longo prazo.
Compra de imóveis para renda
Com a carta contemplada, é possível comprar um imóvel e alugá-lo. Em alguns casos, o aluguel ajuda a pagar as parcelas restantes. Esse cenário depende do preço do imóvel, do valor do aluguel e da vacância, e precisa ser calculado com cuidado.
Várias cotas ao longo do tempo
Algumas pessoas contratam mais de uma cota, com o objetivo de serem contempladas em momentos diferentes e montar um patrimônio aos poucos. A estratégia exige planejamento de caixa, porque cada cota tem sua parcela.
Os custos que precisam entrar na conta
Mesmo sem juros, o consórcio tem custos:
- Taxa de administração, diluída nas parcelas;
- Fundo de reserva e seguro, conforme o contrato do grupo;
- Correção da carta e das parcelas por um índice definido em contrato;
- Custos da compra do imóvel, como impostos e cartório.
Detalhamos isso em taxa de administração do consórcio. Para avaliar se a estratégia faz sentido, compare o custo total com o que o imóvel pode render.
Liquidez: o ponto de atenção
Liquidez é a facilidade de transformar o patrimônio em dinheiro. No consórcio, ela é baixa:
- Antes da contemplação, sair do grupo significa esperar a devolução, que em geral acontece no sorteio da cota excluída ou no fim do grupo. Veja em desistir do consórcio.
- Depois da compra, o imóvel fica como garantia até a quitação, e vender um imóvel leva tempo.
Por isso, o consórcio com objetivo patrimonial deve usar dinheiro que não vai fazer falta no curto prazo.
Cuidado com a “carta contemplada” vendida por terceiros
Existe um mercado de cartas contempladas: cotas já contempladas que são transferidas de um consorciado para outro. Isso pode ser legítimo, desde que a transferência seja feita pela administradora, com análise e aprovação dela.
Mas esse mercado também atrai golpes. Os sinais de alerta mais comuns:
- Promessa de contemplação garantida ou “carta liberada em dias”;
- Pedido de pagamento antecipado para “reservar” a carta;
- Pressão para fechar rápido, sem tempo para ler o contrato;
- Vendedor que não é a administradora e evita os canais oficiais;
- Valor muito abaixo do que seria razoável.
Num consórcio regular, ninguém pode garantir quando você será contemplado. Se alguém garante, desconfie.
Antes de qualquer negociação, confirme com a administradora se a cota existe, se está contemplada e quais são as condições da transferência. E verifique se a administradora é autorizada pelo Banco Central.
Para quem essa estratégia faz sentido
| Perfil | Faz sentido? |
|---|---|
| Tem renda estável e pensa no longo prazo | Pode fazer |
| Precisa de liquidez ou do dinheiro em breve | Em geral não |
| Quer renda de aluguel e aceita os riscos do imóvel | Pode fazer, com cálculo |
| Busca rendimento garantido | Não; consórcio não garante rendimento |
O consórcio é regido pela Lei 11.795/2008, e as administradoras são fiscalizadas pelo Banco Central.
Como a Contseg ajuda
Ajudamos você a montar um plano realista, com o custo total, o prazo e a estratégia de lance, e a avaliar se o consórcio combina com o seu objetivo. Trabalhamos apenas com administradoras autorizadas. Saiba mais em consórcio.